Luana da Silva, mulher Tapuia/Tarairiu do sertão paraibano, carrega em sua trajetória a dor do apagamento histórico imposto ao seu povo, mas também a força de quem se recusa a desaparecer. Desde cedo, ela percebeu que as narrativas dominantes invisibilizaram sua ancestralidade, apagando os rastros de resistência dos Tarairiu, um dos povos mais temidos e combatidos durante a colonização no Nordeste. Determinada a resgatar sua história, Luana embarcou em uma jornada pessoal e coletiva para desvendar os processos violentos que sua família enfrentou — desde a dispersão forçada até a negação de sua identidade. Sua luta é, antes de tudo, pela memória.
A busca de Luana não se limita ao passado; ela é uma semente para o fortalecimento do presente. Ao reconstruir a história de seu povo, ela também tece redes de resistência, unindo parentes dispersos e reafirmando a identidade Tapuia/Tarairiu em um contexto onde muitos ainda duvidam da existência de indígenas no sertão. Sua voz ecoa em espaços de luta, mostrando que ser indígena não se resume a estereótipos, mas a uma vivência política, cultural e espiritual que persiste, mesmo sob séculos de apagamento. Seja com cocar ou sem cocar, sua presença desafia as invisibilidades impostas.
Além da reconstrução identitária, Luana Silva tem sido uma força pioneira na luta por uma comunicação indígena autônoma e ampla. Ela entende que, para romper com os silêncios históricos, é preciso ocupar espaços midiáticos e criar narrativas próprias. Seu trabalho busca não apenas informar, mas transformar — levando as vozes indígenas para além das aldeias, alcançando escolas, universidades, redes sociais e meios tradicionais. Para ela, comunicação é ferramenta de luta, um modo de garantir que as próximas gerações cresçam sabendo quem são e de onde vêm.
Luana Silva representa a resistência que não pede licença: ela existe, afirma e amplifica. Sua trajetória mostra que o apagamento não é o fim, mas um desafio a ser superado com memória, organização e voz. Enquanto muitos ainda insistem em negar as raízes indígenas do sertão, ela prova, com sua luta, que os Tapuia/Tarairiu seguem vivos — e que sua comunicação não será mais silenciada. Sua história é um chamado: para que a sociedade escute, aprenda e reconheça a diversidade que sempre existiu, mas que muitos se esforçaram para apagar.
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